A Adobe vem com uma novidade relacionada à inteligência artificial aplicada à arte. Esta é uma combinação que tem gerado muitas discussões relevantes, principalmente sobre direitos autorais e os riscos, tanto para artistas como para usuários das imagens geradas por IAs generativas.
Para aumentar a segurança dos clientes corporativos, algumas resoluções foram anunciadas pela gigante dos softwares de imagens.
Para começar…
Firefly: O que é isso?
Firefly é uma ferramenta pioneira criada pela Adobe. Seu principal objetivo? Permitir a geração de arte utilizando a tecnologia de inteligência artificial generativa.
De maneira bem simplificada: a IA generativa é capaz de criar novos conteúdos a partir de dados já existentes. No caso do Firefly, estamos falando sobre a geração de arte com base em outras obras já existentes. Como você pode imaginar, isso levanta algumas questões legais, especialmente quando se trata de direitos autorais das “obras-filhas” geradas a partir de criações pré-existentes. É aqui que a Adobe entra em ação com uma solução bem engenhosa.
A Luz no Fim do Túnel: Cláusula de indenização
Para amenizar os receios empresariais sobre essa questão, a Adobe inseriu uma cláusula de indenização em seus contratos. Essa cláusula declara que a companhia cobrirá qualquer reivindicação de direitos autorais relacionada às obras criadas pelo Firefly
Esta solução tem como objetivo aliviar as preocupações dos clientes especificamente corporativos que utilizam o Firefly. Isso significa que a Adobe está preparada para arcar com os prejuízos das empresas que utilizam a ferramenta, caso alguma delas perca uma ação judicial sobre o uso do conteúdo gerado pelo Firefly.
A estratégia por trás da indenização
Você pode estar se perguntando como a Adobe consegue fazer isso sem se colocar em risco.
A empresa tem uma estratégia bem definida para isso, e treina o Firefly exclusivamente com imagens do Adobe Stock – as quais a empresa tem ampla permissão para usar – bem como com conteúdos de domínio público e licenciados abertamente. Esta abordagem reduz significativamente o risco da Adobe em relação à oferta da cláusula de indenização.
Adobe Firefly: É seguro para o usuário?
Dana Rao, conselheiro geral da Adobe, esclarece que a empresa está pronta para intervir se, por alguma razão, um cliente for processado. Isso porque eles têm total conhecimento sobre a origem dos dados usados para treinar o Firefly. Nesse sentido, é como se a companhia estivesse oferecendo uma espécie de seguro para seus clientes corporativos, trazendo um maior sentimento de segurança e confiança no uso da ferramenta.
Por outro lado, analistas do setor, como Ray Wang, fundador e principal analista da Constellation Research, consideram a abordagem da Adobe inteligente não apenas para a própria empresa, mas também para os criadores que contribuem para o Adobe Stock.
Avançando com a arte gerada por inteligência artificial
Mesmo que o cenário legal em torno da arte gerada por IA ainda não esteja completamente resolvido, a Adobe está claramente segura e disposta a proteger seus clientes. A IA está redefinindo o cenário artístico e legal, e iniciativas como essa são importantes para promover a adoção dessas novas tecnologias de uma forma responsável.
Artistas, empresas, clientes e a IA generativa
As discussões sobre o uso adequado dessas ferramentas estão longe de acabar. As questões envolvidas são urgentes e não parece que estejamos tão perto de resoluções definitivas.
O fato é que o potencial de geração de receita dessa nova tecnologia nos dá a perspectiva de que é inútil tentar banir o uso da IA generativa, o mercado olha para isso como um grande divisor de águas que permite aumentar a produtividade.
Justamente por isso é importante entender as diferentes perspectivas sobre a adoção de recursos como o Firefly. Muito mais do que tentar proteger clientes, empresas ou artistas, é preciso buscar formas de coexistência para que os autores tenham seus direitos assegurados, tal como os usuários dessas ferramentas possam se beneficiar da originalidade e talento dos artistas.
Existe de fato como rastrear a origem? Como assegurar os direitos autorais dos artistas? Os clientes de outras empresas, além da Adobe, podem ter segurança ao usar imagens feitas por uma IA generativa? Como fomentamos o mercado para os artistas e incentivamos a comercialização das obras? São inúmeras questões éticas e legais, e ainda parece que tem muito chão para respostas mais consistentes.
Temos muito a pensar sobre a combinação arte e IA generativa. Qualquer iniciativa que vise aproximar, de forma harmoniosa, a origem e os fins das obras tende a nos encaminhar para melhores perspectivas de um futuro onde seja possível uma conciliação de interesses.
Fonte: TechCrunch