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Descoberta de canal do Rio Nilo traz novas perspectivas sobre a construção das pirâmides

O Rio Nilo pode se colocar como esclarecedor sobre as complexas construções que instigam a humanidade ao longo dos tempos, levando pesquisadores a investigar insistentemente os meios pelos quais materiais tão pesados eram transportados para erigir estruturas monumentais. 

Uma recente descoberta de um antigo ramo do Rio Nilo, agora batizado de “Ramo Ahramat”, sob a superfície próxima ao complexo das pirâmides de Gizé, no Egito, traz novas perspectivas sobre os engenhosos métodos utilizados pelos construtores das pirâmides. Publicado na revista Communications Earth and Environment, o estudo revela como essa via aquática pode ter sido fundamental na construção dessas estruturas monumentais. 

Esta novidade aponta para engenharia e planejamento incríveis do Antigo Egito, oferecendo um panorama surpreendente sobre como os egípcios antigos se adaptaram às mudanças ambientais ao longo dos milênios.

Historicamente, o Egito sempre teve uma relação intrínseca com o Nilo, um rio que foi a espinha dorsal da civilização egípcia por milhares de anos. A maioria da população do país ainda reside na bacia do Nilo, que continua sendo um pilar crucial para a agricultura, alimentação e água. No entanto, ao longo dos séculos, o curso do Nilo mudou significativamente, movimentos tectônicos e outros fatores naturais fizeram com que o rio se deslocasse vários quilômetros para o leste, influenciando diretamente a localização de assentamentos e sítios arqueológicos.

Reprodução: Nature – A Pirâmide Vermelha, a maior das pirâmides da necrópole de Dahshur, foi construída há mais de 4.500 anos. Crédito: Eman Ghoneim

E você já conhece a pirâmide que supostamente seria mais velha que as famosas pirâmides do Egito? Clica aqui para ver!

Explorando o Rio Nilo

A equipe de pesquisa liderada por Eman Ghoneim, geomorfologista da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, utilizou imagens de satélite e análises geológicas para identificar o que parecia ser um canal de rio seco, localizado vários quilômetros a oeste do Nilo atual. Tratava-se de um canal que se estendia por cerca de 60 quilômetros através de áreas agrícolas, com profundidade e largura comparáveis às do Nilo moderno. 

Reprodução: Nature – Fonte da imagem: NASA Visible Earth

A equipe coletou amostras de núcleo do sedimento do canal, encontrando uma camada de cascalho e areia típica de um leito de rio, o que confirmou a hipótese de que o canal era, de fato, um antigo leito fluvial.

O canal agora chamado de “Ramo Ahramat” tinha um papel crucial na logística de construção, conectando diferentes campos de pirâmides ao longo de seu curso. Mais de 30 pirâmides dos períodos do Reino Antigo e Médio (2686 a 1649 a.C.) alinhavam-se ao trajeto dessa via aquática. Essa descoberta corrobora com registros históricos que sugerem que os materiais de construção eram transportados principalmente por via fluvial. O transporte de pedras e outros materiais pesados por barco seria, sem dúvida, menos árduo do que transportá-los por terra, como destaca Judith Bunbury, geoarqueóloga da Universidade de Cambridge.

Os sítios arqueológicos entre Gizé e Lisht, onde se encontra a maior concentração de pirâmides no Egito, hoje estão distantes dezenas de quilômetros do Nilo. No entanto, a descoberta do Ramo Ahramat explica por que os antigos egípcios escolheram esses locais específicos para construir suas pirâmides: a proximidade com uma fonte de água navegável facilitava enormemente o transporte de materiais de construção. Suzanne Onstine, egiptóloga da Universidade de Memphis, destaca que os templos do vale e as calçadas dessas pirâmides estão orientados exatamente para onde a água corria, mostrando a integração entre as construções e o ambiente natural.

Reprodução: Nature – A equipe de pesquisa se prepara para analisar amostras de solo coletadas em uma área do Vale do Nilo próxima às pirâmides. Crédito: Eman Ghoneim

Além de facilitar a logística de construção, o canal que sai do Rio Nilo, o “Ramo Ahramat” também era vital para o desenvolvimento e sustentação das comunidades locais, fornecendo recursos hídricos essenciais para a agricultura e sustento das populações. Com o tempo, movimentos naturais do Nilo e a deposição de areias do deserto do Saara levaram ao assoreamento e ao eventual desaparecimento dessa via aquática, deixando apenas lagos e canais dispersos onde antes corria um importante ramo do Nilo.

A compreensão dessa antiga geografia fluvial nos fornece algumas respostas sobre o passado, abrindo caminho para futuras explorações arqueológicas. Sabendo a localização exata do antigo rio, arqueólogos têm agora um mapa que pode guiar a busca por outros assentamentos egípcios antigos, potencialmente descobrindo mais sobre como essa civilização se adaptava e manipulava seu ambiente para atender às necessidades de seus ambiciosos projetos de construção.

Esta nova perspectiva sobre o canal que sai do Rio Niloaponta para um avanço tecnológico e adaptativo dos antigos egípcios, suas relações com o meio ambiente e como planejavam e viabilizaram construções gigantescas. 

Os povos ao redor do Rio Nilo, ao que parece, eram pragmáticos e inovadores em suas soluções para os desafios de construção, utilizando de forma eficaz os recursos naturais para erguer estruturas que desafiaram o tempo. 

Fonte: Nature

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