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Lixo espacial perfura telhado na Flórida e traz questões sobre responsabilidade na exploração espacial

O lixo espacial é um aspecto que traz questionamentos sobre responsabilidade e segurança. Em uma manhã como outra qualquer em Naples, Flórida, um objeto metálico perfurou o telhado de uma casa, um estrago causado por lixo espacial de três anos atrás, quando astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS – International Space Station) descartaram a maior peça de lixo já jogada fora da estação, conhecida como Exposed Pallet 9 (EP9).

Pesando o equivalente a um grande SUV, o objeto estava carregado com 5,800 libras de baterias de níquel-hidrogênio usadas. Em março de 2021, esse lixo espacial foi liberado, e depois de alguns anos vagando pelo espaço, entrou na atmosfera da Terra, terminando sua trajetória sobre o Golfo do México.

O pallet EP9 foi monitorado cuidadosamente durante sua reentrada descontrolada na atmosfera terrestre, com a previsão da agência Espacial Europeia (ESA) de que a maior parte do pallet queimasse na atmosfera, com um risco muito baixo de causar danos ao atingir o solo. Contudo, o recente evento em Naples mostrou que até os cálculos mais cuidadosos podem falhar em prever todas as variáveis. Um fragmento do pallet, especificamente uma peça metálica de quase dois quilos, resistiu à reentrada na atmosfera e encontrou seu caminho até a casa de um morador desavisado.

Após a recuperação do objeto, a NASA confirmou que se tratava de detritos do EP9. Especialistas, como Marco Langbroek, um rastreador de satélites e membro do corpo docente de engenharia aeroespacial na Universidade de Tecnologia de Delft, e Tobias Lips, diretor gerente da empresa Hyperschall Technologie Göttingen na Alemanha, já haviam indicado que o fragmento poderia ser do pallet de baterias da ISS. Langbroek analisou a trajetória de reentrada e o tempo marcado em vídeos de segurança que capturaram o momento do impacto deste fragmento de lixo espacial, corroborando essa teoria.

A análise de Lips, que utilizou simulações de reentrada para prever o destino dos fragmentos, sugeriu que cerca de 130 peças poderiam sobreviver à reentrada, sendo o fragmento encontrado em Naples um exemplo disso. O objeto em questão, feito de uma superliga de níquel-cromo chamada Inconel, era parte do equipamento de suporte de voo usado para montar as baterias no pallet.

Lixo espacial e responsabilidade

Este incidente destaca a crescente preocupação com o lixo espacial, trazendo à tona questões legais complexas sobre responsabilidade. Antes de ser confirmado como parte do EP9, Joanne Gabrynowicz, uma professora emérita de direito espacial, destacou a potencial complicação que poderia surgir se fosse provado que os detritos de lixo espacial vinham das baterias da ISS. Essas baterias, apesar de serem propriedade da NASA, estavam anexadas ao EP9, lançado pela Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA). A responsabilidade por danos causados por objetos espaciais é regida por tratados internacionais complexos, que podem tornar as negociações e resoluções legais um verdadeiro labirinto de procedimentos.

Darren McKnight, especialista técnico sênior na LeoLabs, uma empresa de serviços de conscientização do domínio espacial, alerta que o risco de detritos orbitais é real e está crescendo à medida que mais sistemas espaciais são implantados na órbita terrestre baixa. A prática de “projeto para o fim”, empregada por muitas empresas aeroespaciais, visa garantir que, se as partes reentrarem na atmosfera, elas queimarão em alta altitude. 

No entanto, críticos como Moriba Jah, um especialista em rastreamento e gestão de detritos espaciais e cofundador da Privateer Space, argumentam que descartar lixo espacial em órbita baixa da Terra na esperança de que eles reentrem naturalmente na atmosfera não é um método de descarte responsável, mas sim um ato de abandono.

Em resposta a esse incidente, a NASA não apenas assumiu a custódia do objeto para uma análise mais detalhada, mas também anunciou planos para realizar uma investigação aprofundada sobre o processo de descarte de lixo espacial e reentrada na atmosfera para entender melhor as causas da resistência dos detritos, e atualizar a modelagem e análise conforme necessário.

Este incidente serve como um chamado para despertar para formuladores de políticas, principais players aeroespaciais e o público em geral sobre a questão do lixo espacial na órbita terrestre baixa. As consequências da das iniciativas espaciais devem ser assistidas rigorosamente para garantir a segurança e a sustentabilidade das jornadas de exploração do espaço.

Fonte: Scientific American

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